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“Africanis” de Daniel Naudé

Posted in fotógrafos by modobulb on October 20, 2009
Africanis 12. Ricmond, 4 de Abril. Daniel Naudé

Africanis 12. Ricmond, 4 de Abril. Daniel Naudé

Somos assinantes e fãs da revista holandesa FOAM desde seus primeiros números, esperamos ansiosos a chegada de cada edição.

Editada pelo museu FOAM em Amsterdã a revista normalmente apresenta 8 portfólios ligados por um mesmo tema, com abordagens completamente distintas, uma celebração a diversidade e a capacidade de renovação da fotografia e daqueles que a utilizam como mídia para a realização de seus trabalhos. Uma vez por ano uma edição especial é editada, a Talent Issue, apresentando portfolios de jovens fotógrafos com menos de 35 anos.

Esse post não é sobre a FOAM e sim sobre uma das belas surpresas que essa edição (Talent / Fall 2009 / #20 ) trouxe em suas páginas, o trabalho “Africanis” de Daniel Naudé.

Daniel Naudé é sul Africano  nascido em Cape Town,  e no auge de seus 25 anos de idade apresenta uma série sólida e de beleza ímpar. Naudé une à tradição do retrato, da fotografia de paisagem e a fotografia científica, o registro dos espécimes animais. Daniel também se alimenta dos desenhos e pinturas do final do século 18, pintores esses que percorriam paisagens remotas das colônias registrando a  fauna, flora e seus habitantes. Ele mesmo cita a influência das pinturas de  George Stubbs e Samuel Daniel.

 The Moose, 1773 – Óleo sobre Tela.  George Stubbs,

The Moose, 1773 – Óleo sobre Tela. George Stubbs,

  Africanes 11. Murraysburg, 4 Fevereiro 2009. Daniel Naudé.

Africanes 11. Murraysburg, 4 Fevereiro 2009. Daniel Naudé.

Em sua série Africanis, Daniel fotografou cachorros selvagens das paisagens rurais e naturais do sul da África. Esses cães são hoje reconhecidos como uma das poucas linhagens naturais e puras de Canis (gênero da famílias dos Canídeos, que abriga os cães domésticos) no mundo. Sua descendência genética remete aos cães Egípcios, aqueles eternizados nos murais de tumbas e templos.

Olhando as fotografias é fascinante pensar que esses animais e seus corpos foram esculpidos por séculos de evolução criando relações diretas com a paisagem onde vivem. Em suas fotografias ao enquadrar seus personagens ao centro deixando espaço para a paisagem que os cerca o fotógrafo nos permite admirar essa relação. A altura do corpo, a cor e textura dos pelos e o tamanho dos olhos e orelhas são confrontados com a paisagem árida  Além disso, a luz é sempre muito bem utilizada, uma influência direta das pinturas antes citadas. Ao ver suas imagens é impossível não se perguntar: como ele conseguiu posicionar  animais não domesticados de maneira tão precisa e natural? Com certeza isso é fruto de muito trabalho, horas de  andanças, observação e compreensão do comportamento desses animais, respeito e admiração.

Daniel Naudé é um caçador que se aproxima de forma sorrateira de sua presa, porém o que ele traz de volta não são troféus, cabeças para pendurar nas paredes, são belas imagens onde cada um desses cães é individualizado, enaltecendo suas características únicas.  É interessante pensar também que convivemos, como espécie, com cães domesticados há gerações o que com certeza influência muito a forma como olhamos os Africanis de Naudé. Nessas imagens esse não é o caso, esses animais são independentes, vivem com os recursos que essa paisagem lhes oferece ou que nela eles devem buscar e o que mais impressiona é que um olhar atento pode identificar os traços dessa vida no corpo (marcas, cicatrizes, sua postura, as costelas protegidas por pouca carne…) e nos olhos desses animais.

Conhecer este trabalho foi um presente!

3 Responses

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  1. Thelma Gatuzzo said, on October 20, 2009 at 6:16 pm

    Lindo trabalho!

  2. gUi said, on October 21, 2009 at 3:57 am

    Eu adoro fotografar cachorro. Tinha uma época em que eu fotografava bastante. Cachorros presos e cachorros de rua.
    Toda vez que eu aponto uma câmera pra eles, ou eles se sentem ameaçados e se vão, ou eles olham pra mim e vêm querendo brincar.
    Esse trabalho é de uma beleza ímpar.
    É difícil escapar do ‘como é que ele fez’. Eu costumo achar que essa primeira pergunta é sempre a mais superficial e mais besta. Besta por que o ‘pra que ele fez’, ou ‘por que ele fez’ pode levar a divagações muito mais ricas, e tem tantas outras se vc parar um pouco pra olhar…
    Mas voltado a pergunta besta, ela me leva pra uma outra. Que ser humano é esse que consegue criar esse tipo de relação com um animal selvagem? Uma relação de um respeito desse jeito. E mútuo.

    • modobulb said, on October 21, 2009 at 6:31 pm

      Oi Gui! Muito obrigado por colaborar. Você ta intimado a passar sempre por aqui e deixar seus apontamentos.
      O que é mais bonito em imagens como as de Naudé é que com simplicidade o fotógrafo nos revela um mundo novo. Quando eu poderia parar na frente de um cão como esse e admira-lo pelo tempo que quiser? Posso olhar essas imagens por minutos, até mesmo horas, e as perguntas que elas provocam são infínitas. Posso até mesmo inventar uma história para cada cão…..se quiser posso lhe dar um nome, mais isso é vontade de quem sempre teve cachorro em casa.


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